![]() |
|
![]()
Amor Perdido
Procuro voce na memória do tempo, para ver se eu encontro aquele que amei um dia, com muito êxtase e paixão, com tanta sofreguidão. Procuro voce na memória das horas, passadas cheias e vazias quando de mim te apartavas, numa louca espera, que fazia de mim uma fera. Procuro voce na memória dos segundos, em que juntos estivemos. Procuro no teu olhar, uma nesga de dúvida, um não sei quê de ternura, que nos leve de novo à aventura. Te procuro ainda no bem maior que se tem, na construção firme e forte resguardada a sete chaves: nossos filhos amados, nosso neto adorado, que nele toda a alegria é uma terna companhia. Sei que somos diferentes, voce pensamento, concretude, eu sentimento, abstração, mas se já fomos amantes, porque não voltar a ser como antes? Os dias passam céleres E pouca coisa restou do muito que se perdeu... foi o amor que bateu asas, desencantado, morreu. E agora vago sózinha insone na madrugada, a espera que as horas vençam minha esperança abandonada. Nutrida de um sentimento de que tudo se harmonize outra vez, antes da hora da partida, transformada em hora da chegada, num doce reencontro na madrugada. No renascimento do amor, com mais força e carinho, renascimento dos sonhos, deixados pelo caminho, renascimento da vida em mil venturas, acarinho. Nosso redespertar amoroso encontra-se envolto, em brumas escuras e sombrias, tal qual um mar insano e revolto, nas marés das horas tristes e vazias. Ainda resta um consolo, que desmanchadas as armaduras retiradas as amarras do tempo, ressurgindo qual fênix encantada, a paixão ressurja vigorosa e desvelada. Mas olho voce dormindo, com tanta calma e placidez, e me pergunto como pode, ter num coração tanta aridez? Como se apenas eu sofresse tanto e amargasse meu pranto, pois voce siquer se importa, se me sinto como morta. E assim parto na busca de um maior entendimento, percebendo no cotidiano certos atalhos que se parecem mais à tessitura de uma urdida colcha de retalhos, de trapos tornados farrapos, por falta de maiores tratos. Portanto despida de qualquer orgulho ou pretensão, percebendo que o valor da relação conjugal cabe na palma da mão, vou sopesando a vida, me defendendo das palavras alvoroçadas de nossas crias, revoltadas com o estado das coisas, indignadas com as metas traçadas, em momento de verdades que descansavam à sombra e que colocadas na luz, foram duplamente e amigavelmente aceitas. E conclui então que muitos dos nossos sonhos, são apenas borboletas que voando por entre as flores, num doce beijo de amor, não se fixam em nenhuma, para a suma liberdade de beijarem todas, com muito ardor. E de sonhos em sonhos, assim como de flor em flor, viceja a vida risonha, sempre na busca do amor. Santos, SP - 04/12/05
Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 02/03/2006
Comentários
|


