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![]() A NAVE DO AMOR
Guida Linhares E assim retorno a nave, contente por estar seguro. Não há nada que me trave, só tenho medo do escuro. Estranho o seu interior, os outros onde estão? Procuro pelo corredor, e dou um tropeção. Era uma mulher jovem, de pele branca e macia, uma terráquea caida, no chão da nave vazia. Me ajoelho e vejo logo, quão belo é o seu rosto, em lágrimas me afogo, está morta, que desgosto! Me vejo assim tão solitário, nesta nave muito escura, chega a noite, eu temerário, das horas passadas obscuras. Penso que toda a vida, acabei sempre sózinho, talvez uma sina revivida, sem amor e sem carinho. Mas eis que de repente, vejo a mulher se levantar. Meia tonta, se pressente, que vai de novo desmaiar. Eu a tomo em meus braços de porcelana parece sua pele. Os seus lábios puro carmim, a um doce beijo me impelem. Sinto uma doce ternura, invadindo todo o meu ser, penso então na ventura, de se ter um bem querer. Ela abre os olhos surpresa, e vejo que são castanhos, sente-se assim toda presa, em meus encantos tamanhos. Ofereço-lhe a única cama, que sobrou naquele espaço, ela me olha e logo reclama, não cabemos neste pedaço. Mas sou gentil cavalheiro, e digo com generosidade, este espaço é teu celeiro, sou adepto da castidade! Ela me olha por inteiro, e até me sinto despido, por seu olhar prisioneiro! Preciso buscar outro abrigo. Então ela estende os braços, e diz:-estou apenas brincando, vou me perder em teus laços, com voce me massageando. O sangue esquenta nas veias, e perco o equilíbrio de tudo. Dou-lhe o prazer a mancheias, depois de ficarmos desnudos. Nem sentimos a nave decolar, estávamos a subir nas paredes, o fogo da paixão a nos avassalar, côncavos e convexos em rede! E assim varamos a madrugada, num movimento muito alucinante, de múltiplas fantasias trocadas, juntinhos como dois amantes! Santos/SP/Brasil 26/11/06 *** Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 27/11/2006
Alterado em 03/01/2012 Comentários
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