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Chuva displicente
CHUVA DISPLICENTE
Guida Linhares Eta que chuva danada que chega arrastando tudo. Arrasta a alegria da gente que mora em rua que enche. Arrasta também o mendigo, que logo perdeu seu abrigo. Um morador debaixo da ponte da Freguezia do Óh, quase se afoga! Arrastou também a tristeza, alojada no meu coração, que beleza! Mas a saudade fez a minha amiga chover em versos, emoções desabrigadas. São as famosas chuvas de março, que chegam com toda a força, fechando o verão e invadindo tudo, deixando até o arco íris meio doido. E pra não restar a menor dúvida, as cores se desdobram duplicadas, pra que esta chuva tão displicente, vá pra outro lugar, onde a seca mora. Santos/SP 21/03/07 Participação no sexteto, tema iniciado pela querida amiga poeta santista Gui Oliva, seguido de Eugénio de Sá, Tere Penhabe, Maria Lucia Victor e Marcial Salaverry. **** 6. A BELEZA DA CHUVA Marcial Salaverry A beleza da chuva caindo... uma melancolia que vem vindo... uma sensação estranha sentindo... um algo que mexe com nossa alma, quase tirando nossa calma... uma indefinível emoção, mexendo com o coração... um quê de saudade, talvez de felicidade... Eis que se avizinha a tempestade... Raios e trovões, abalando os corações... Chuva e tempestade... causam-nos perplexidade... uma escolha para a felicidade? **** 5. CHUVINHA FINA MARIA LUCIA VICTOR Chove, chuva fininha, chuvinha fina que minha emoção vem refrescar, lavo na enxurrada a paixão mais desvairada que vive a me atormentar e, se eu chorar, faz para mim uma cortina de água leve a chuviscar, assim, quem sabe, esqueço as mágoas e na chuva fina me ponho a dançar como alegre menina na chuvinha fina a cirandar. Londrina, 23/03/2007 ***** 4. Enxurrada ou chuvinha, o que preferes? Tere Penhabe Na calçada, deixa que corra à vontade uma boa enxurrada como na infância banhando os pés sem medo e sem vaidade fugindo da mãe, à vigilância! Porém mais tarde, em meio aos anos caindo na vida e trovejando que seja a chuva fina e confortante de preferência, na praia caminhando! Com o sol a lamentar-se no horizonte pelo roubo que lhe faz a chuva infante sorrindo atrevida do seu desencanto caindo suave sobre sonhos de amante. E se de repente a enxurrada se formar e em ventos fortes a tempestade chegar que a pedra se apresente urgentemente para impedir-me de tão triste, me afogar! Santos, 18.03.2007 www.amoremversoeprosa.com **** 3. Chuva tropical Eugénio de Sá Como um chorinho ela cai, não cai num bailado gingão e ritmado deixando assim a gente como vai não vai olhando o plumbeo céu de luz riscado E eis que bátegas d'água lá do alto em agrado a Yemanjá se precipitam deixando os corações em sobrassalto perante as torrentes que nela radicam Que bom é estar em casa nesse tempo de choros desse céu em sobressaltos ouvindo na vidraça a chuva e o vento E porque não então aproveitar p'ra dançar um chorinho bem gostoso deixando o coração tamborilar ? S. José do Rio Preto ***** 2. CHUVA DISPLICENTE Guida Linhares Eta que chuva danada que chega arrastando tudo. Arrasta a alegria da gente que mora em rua que enche. Arrasta também o mendigo, que logo perdeu seu abrigo. Um morador debaixo da ponte da Freguezia do Óh, quase se afoga! Arrastou também a tristeza, alojada no meu coração, que beleza! Mas a saudade fez a minha amiga chover em versos, emoções desabrigadas. São as famosas chuvas de março, que chegam com toda a força, fechando o verão e invadindo tudo, deixando até o arco íris meio doido. E pra não restar a menor dúvida, as cores se desdobram duplicadas, pra que esta chuva tão displicente, vá pra outro lugar, onde a seca mora. Santos/SP 21/03/07 **** 1. Enxurrada ou Chuvinha o que preferes? Gui Oliva repare com o quê ou quem parece esse tempo que chega assim desajeitado, traz a umidade quando o dia amanhece, e permanece com esse ar de encabulado primeiro foi aquela chuva de enxurrada, arrebatando o que encontrava pela frente, de trovão anunciador da sua chegada, de luzes faiscando o céu da gente inundou espaços com os seus abraços, invadiu recantos sem constrangimento e pejos sonorizou seus sons e ofereceu os seus regaços, e transbordou das nuvens os seus beijos de repente...acalmou e despediu-se de mansinho, disse um adeus traiçoeiro, mal resolvido em meu ouvido, com trovões ribombando ao longe, em outras plagas, mas não contente com o estrago feito, ainda deixou essa chuvinha chorosa e birrenta que atormenta, e a saudade do passado, não apaga Santos/SP 18/03/07 ***
Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 25/03/2007
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