Canteiro dos girassóis

Desvelando o sol poético.

Textos


COISAS DE AVÓ
Guida Linhares 

Nasci e cresci em casa de quintal enorme, cheio de bichos e árvores frutíferas.
No galinheiro, todas as galinhas tinham nome e ainda criança, corria atrás delas e eram minhas companheiras até nascer meu irmão, quando eu já estava com sete anos.
O pior momento para mim era quando minha avó corria atrás delas, com a intenção de mandar alguma para a panela, e logo conseguia uma vítima e então, puxava o seu pescoço, com um golpe certeiro, apoiando a coitadinha no joelho. 
Não gostava de ver isso, mas certamente que ela bem temperadinha, era o melhor prato da mesa.
Porém, confesso que chorei, no dia em que encontrei o meu lindo coelhinho, pendurado no porão, descansando antes de ir pro fogão. Nem ele escapou de virar um bom prato.
Nem eu, nem minha mãe nunca matamos um bichinho, mesmo minha avó dizendo que toda mulher tem que saber não só cozinhar, mas também oferecer pratos de carne fresca e para isso tem que ter a coragem de matar os bichos.
Certamente que baseada em sua filosofia de cozinheira amorosa, que oferece o melhor para a família, minha avó não se incomodava com a matança dos bichinhos.
Contudo por mais que eu ame cozinhar, e por melhor que seja a escolha de produtos, nunca ofereci ou oferecerei pratos do jeitinho que minha avó carinhosamente e corajosamente fazia, com um sorriso no rosto, e feliz da vida.

Santos/SP/Brasil 

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Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 22/12/2019
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