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AS FLORES E O AMOR MATERNO Guida Linhares
Era um jardim mágico, existente em alguma dimensão do universo, onde as flores eram falantes, travando longos diálogos, sobre as condições terrenas, o sofrimento humano, as terríveis guerras reais ou emocionais, e a busca pela felicidade. Ficavam observando os acontecimentos e realizavam amplos debates, onde cada flor manifestava a sua opinião. E foi assim que viram a mulher caolha, cujo filho sofria bullying e toda a trajetória de ambos foi cercada de muito sofriment o, oriundo de um segredo que ela guardava a sete chaves. As flores sacudiram suas pétalas e foram unânimes em achar que o amor materno era tão forte, que a unica alternativa da caolha era silenciar quanto à causa da sua deformidade, provocada pelo filho ainda pequenino, num momento esquecível. De repente, uma das flores vê uma nuvem negra se aproximando do jardim, onde se via uma pocilga, e no meio dela uma mulher desmaiada e um bebê esparramado ao seu lado. Horrorizadas as flores tentaram compreender o que seria aquela estranha nuvem, com uma visão tão aterradora, já que o bebê estava vivo, mas a mulher poderia estar morta. As flores se juntaram em círculo, rogando socorro aos deuses. E logo depois viram que ambos estavam vivos, sendo socorridos. Ficaram tão felizes que brindaram o desfecho, com o néctar dos deuses. E no meio do brinde, perceberam uma nuvem acinzentada, com a figura de um jovem completamente bêbado, procurando a casa onde morava. Não podiam pedir num único dia, outro socorro aos deuses. Assim lançaram mão de um artifício, exalando perfumes que atravessariam a quinta dimensão onde moravam, até a quarta onde o jovem cambaleava e vomitava por onde passava. E inebriado pelo doce aroma, chegou à porta da casa. Sua mãe o acudiu, cuidou e perdoou, já que ela tinha um forte motivo para pedir ao filho, que não saísse, pois era o seu aniversário. As flores, confabulando sobre a mãe caolha, a mãe da pocilga, e a mãe do filho bêbado, concluiram que toda mãe amorosa só deseja o bem dos filhos, independente das vicissitudes.
Santos/SP/Brasil 08/02/25
< Trabalho para a Oficina Literária da Casa das Culturas de Santos >
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Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 02/06/2025
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