Canteiro dos girassóis

Desvelando o sol poético.

Textos


MARGARIDA ENLATADA

Guida Linhares 

 

Sou a Margarida! Nome herdado da minha avó materna, mulher forte e guerreira.

Margaridinha para os parentes próximos e Guida como pseudônimo na área literária, onde poetas amigos, lá nos primórdios, consideraram Margarida um nome muito comprido.

Sou aprendiz de vida, sempre em movimento e lendo Caio Fernando de Abreu no conto da Margarida enlatada, procurei em minhas recordações, momentos em que me senti enlatada, e pasmem, encontrei alguns em que sentei literalmente no chão e chorei.

Não gosto de remexer no passado, até porque não dá pra voltar atrás e fazer outras escolhas.

Contudo estar dentro de uma lata, tal qual ervilhas mergulhadas na água, e no meu caso, em lágrimas, requer atenção à memória afetiva.

E ela traz à tona o triste momento do enterro da minha primeira paixão, meu avô Dante, marido da Margarida, minha avó. 

E mais adiante a doença do meu pai, falecido aos 50 anos.

Muito mais tarde, o fim do meu casamento de 37 anos de boa convivência, que terminou por escolhas diferentes.

E foram mais alguns tristes episódios, em que a lata da memória cisma em não zerar, até porque tudo é aprendizado.

Finalizando posso dizer que aberta a tampa da lata, posso voar além do horizonte e quem sabe até mesmo alcançar as estrelas da Constelação de Órion.

Ah! Ia esquecendo de perguntar: alguém viu a minha lata por aí?

 

Santos/SP/Brasil 

04/10/25

 

Tarefa para a Oficina Literária da Casa das Culturas de Santos, inspirada no conto de Caio Fernando de Abreu, intitulado "A Margarida enlatada".

 

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Guida Linhares
Enviado por Guida Linhares em 04/10/2025
Alterado em 04/10/2025


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